Em meio à crise que ameaça amputar seu mandato, o presidente Fernando Collor participou ontem da primeira sessão da cúpula ibero-americana, que se encerra hoje em Madri (Espanha). Em seu discurso, Collor apresentou os CIACs, a reforma agrária e as campanhas de vacinação infantil como contribuições práticas do Brasil a um hipotético esforço comum ibero- americano pela melhoria das condições sociais. O presidente não comentou a crise política. O presidente Fernando Collor e o primeiro-ministro espanhol Felipe Gonzáles assinaram um Tratado Geral de Cooperação e Amizade e um acordo econômico bilateral, com o propósito de garantir créditos e investimentos ao Brasil de US$3 bilhões nos próximos cinco anos. Segundo o acordo, a Espanha compromete-se a abrir financiamentos para exportação de bens e serviços espanhóis ao Brasil de US$500 milhões, garantidos pela Companhia de Seguros de Crédito para Exportação (CESCE) da Espanha e destinado preferencialmente a projetos do setor privado. Os demais US$2,5 bilhões representam uma meta de investimentos a ser perseguida por esforços dos dois países. A Companhia Espanhola de Financiamento ao Desenvolvimento (COFIDES) estimulará investimentos espanhóis e co- investimentos de empresas brasileiras e espanholas voltadas principalmente para a exportação de bens e serviços brasileiros. Essa companhia, par tanto, concederá avais, garantias e, se possível, participará com capital de risco para a conclusão desses investimentos. O Tratado, sob o qual está amparado o acordo de cooperação econômica, menciona ainda a cooperação política, e para isso será criada uma comissão de alto nível que se reunirá pelo menos uma vez por ano, alternadamente, em Madri e Brasília. O Tratado fala, também, em cooperação científica e tecnológica, no campo agroindustrial (principalmente nos setores pesqueiro, biotecnológico, conservação de energia, novos materiais, informática e telecomunicações), no setor de serviços (turismo, serviços urbanos e saúde, entre outros), além de meio ambiente e fortalecimento institucional das universidades. O Uruguai também assinou um tratado de cooperação e amizade com a Espanha, envolvendo recursos da ordem de US$300 milhões. O presidente uruguaio, Luis Alberto Lacalle, disse que o tratado "é um impulso de confiança que se multiplica, porque o Uruguai é a porta do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), e seu mercado se multiplicará em 1994 até chegar aos 200 milhões de consumidores. Lacalle também se reuniu com o presidente Carlos Salinas de Gortari, do México, para analisar os efeitos da área de livre comércio da América do Norte (NAFTA), sobre o câmbio regional e a situação do MERCOSUL. A` tarde, 20 chefes de Estado fizeram seus pronunciamentos de abertura da 2a. Reunião de Cúpula dos Países Ibero-Americanos. Falaram na democracia com crescimento econômico e no acirramento das práticas protecionistas dos países desenvolvidos em todos os seus discursos (FSP) (GM).