O livre mercado não será implementado no Brasil sem o respaldo da iniciativa privada. Esse respaldo também é fundamental para que o país execute uma profunda reforma fiscal, que possibilite um combate efetivo da inflação. As observações foram feitas ontem pelo economista do Banco Mundial (BIRD), Jorge Garcia e Garcia, um dos participantes do 1o. Fórum Liberal da América Latina, em São Paulo. Promovido pelo Instituto Liberal, o encontro reúne autoridades econômicas e especialistas de diversos países latino-americanos, entre os quais o vice-ministro da Economia da Argentina, Carlos Sanches, e o ex-presidente do Banco Central do Peru, Richards Webb. Segundo Jorge Garcia, o processo de reabertura da economia brasileira está atrasado em relação a outros países da América Latina, como Argentina, Chile, México, Colômbia e Venezuela, impedindo a efetiva integração econômica regional. "Há evidentes indícios de atraso na liberalização da economia brasileira", disse. Ele citou como exemplos as elevadas alíquotas de importação e a exigência de licença para operações de importação. Sobre a liberação da economia na América Latina, o ex-presidente do BC peruano, Richards Webb, disse que o Peru e o Brasil são os maiores empecilhos à abertura do mercado. No Peru, segundo ele, falta consenso político no próprio governo para as reformas liberalizantes que o presidente Fujimori tenta implantar. No Brasil, Webb identifica a falta de credibilidade do governo como principal problema para a abertura do mercado. Para o ex-ministro da Fazenda do Chile, Hernán Buchi, uma crise política como o Brasil enfrenta, não necessariamente impede as reformas, "desde que seja mantida a governabilidade. Tem que haver liderança política que pode ser a nível de um ministro, que convença a sociedade de que as mudanças são necessárias e tenha um bom apoio técnico". Para Buchi, o regime político do país não necessariamente facilita ou dificulta o processo de ajuste. "A América Latina teve muitos governos militares que não fizeram nenhuma mudança na economia. Por outro lado, governo democráticos como o argentino e o boliviano estão implementando as mudanças, enquanto a China, está no mesmo caminho", afirmou (JC) (GM) (O Globo).