PC ATUOU NA COMISSÃO DE ORÇAMENTO

Os tentáculos do esquema PC ultrapassaram a intermediação dos recursos do Poder Executivo e chegam à própria origem dos investimentos do dinheiro público: a Comissão de Orçamento do Congresso Nacional, que decide quais são as obras e projetos que serão executados pelo governo a cada ano. A partir da investigação da Polícia Federal sobre as atividades de PC Farias, cujos documentos foram entregues à CPI na semana passada, chegou- se à vinculação do esquema PC com o Orçamento, através do ex-secretário de Habitação do Ministério da Ação Social, Ramon Arnus, apontado por Pedro Collor como um dos 12 homens de ouro de PC, e da deputada Rose de Freitas (PSDB-ES), que integra a Comissão de Orçamento. A investigação que descobriu a influência do esquema PC sobre o Orçamento originou-se de uma reportagem deste jornal, publicada no ano passado, na qual foi denunciada a liberação de verbas milionárias para Serra Dourada, um município de 17 mil habitantes no interior da Bahia, em troca de apoio político para o então relator do Orçamento deputado João Alves (PFL-BA). A investigação sobre a denúncia foi pedida à PF à época pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e pelo deputado José Genoíno (PT-SP). A PF descobriu que Serra Dourada recebeu os recursos indevidamente. O município estava inadimplente com a União e estar em dia com o pagamento de todos os impostos e taxas federais é pré-condição para que um município receba recursos do Orçamento. Com um salário incompatível com suas despesas, Arnus morava na Academia de Tênis de Brasília, um clube às margens do Lago Paranoá, próximo ao Palácio Alvorada. Arnus pagava as diárias de Rose de Freitas, "hóspede mensalista daquela Academia", segundo o relatório. A deputada negou que Arnus pagasse sua hospedagem. A PF não conseguiu, porém, explicar como Arnus pagava as suas despesas e as de Rose no hotel recebendo salário menor do que o custo das diárias (O Globo).