CÚPULA DE MADRI COMEÇA SEM TRÊS PRESIDENTES

Com a ausência dos presidentes da Venezuela, Peru e Colômbia, impedidos de viajar à Espanha por sérias crises em seus países, começa hoje em Madri a 2a. Reunião de Cúpula Ibero-Americana, que reunirá 18 presidentes da América Latina e os dirigentes de Portugal e Espanha. Quinhentos anos de história comum se encontrarão nos dois dias da reunião que, muito mais do que um longo passado de colonização, colocará no centro das discussões novas formas de cooperação entre uma América Latina ávida por investimentos estrangeiros e uma Península Ibérica já integrada ao mercado mundial. Os líderes latino-americanos tentarão mostrar que é um bom negócio investir do lado de cá do Oceano Atlântico, mas para isso precisarão provar que o continente oferece a estabilidade necessária. A preocupação com a democracia na América Latina é um dos principais temas do encontro. Ontem, os chanceleres dos 22 países elaboraram um rascunho da declaração final, no qual reafirmam o compromisso com a legalidade constitucional e advertem que os severos planos de ajuste econômico adotados na região podem representar uma ameaça à democracia. Os chanceleres consideraram "altamente preocupante" qualquer decisão que atente contra a soberania de cada país, numa crítica aberta à recente decisão da Suprema Corte dos EUA de autorizar o sequestro de pessoas suspeitas em outros países. Quase todos os presidentes latino-americanos, entre eles o brasileiro Fernando Collor, chegaram ontem a Madri, onde aproveitam a oportunidade para manter contatos bilaterais (JB).