A CPI do caso PC Farias identificou ontem dezenas de cheques que os parlamentares consideraram provas definitivas de que Paulo César Farias pagou a reforma da Casa da Dinda, feita pela Brasils Garden. Os cheques somam quase US$1 milhão, valor estimado da reforma da residência do presidente Fernando Collor. Todos os cheques foram emitidos pela EPC (Empresa de Participações e Construção Ltda.), de PC, e pelos correntistas "fantasmas" ligados ao chamado esquema PC. A CPI detectou ainda três cheques de PC ao deputado Paulo Octávio, amigo do presidente. Descontados em 1991, somam Cr$620 milhões (Cr$3,3 bilhões hoje). O pagamento foi realizado através de "fantasmas" que também faziam depósitos na conta de Ana Acioli, secretária de Collor. A Polícia Federal suspeita que Cláudio Vieira, ex-secretário de Collor, pagava a hospedagem da primeira equipe econômica de Collor na Academia de Tênis de Brasília, misto de clube e hotel. Entre os beneficiados estaria a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello. Segundo a CPI, Vieira recebeu dinheiro de PC. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado decidiu que o senador José Paulo Bisol (PSB-RS) pode continuar integrando a CPI. Com isso, a oposição assegura maioria de 12 contra 10 votos na CPI. A indicação de Bisol para a CPI, feita pelo líder do PDS, Esperidião Amin (SC), vinha sendo contestada pelos governistas, à frente o líder do PDC, Amazonino Mendes (AM). O presidente interino da República, Itamar Franco, reafirmou que vai fornecer "rapidamente" as informações que a CPI solicitar ao Executivo. Sobre a possibilidade de assumir definitivamente, disse: "Tenho pedido a Deus que o vice não assuma". O porta-voz da Presidência, Pedro Luiz Rodrigues, disse que o governo vai pedir "providências penais cabíveis" contra membros da CPI que estejam praticando "crime de quebra do sigilo bancário". Na Espanha, o presidente Fernando Collor fugiu de encontros com a imprensa no primeiro dia de sua visita (FSP).