Com detalhes minuciosos, os engenheiros da PETROBRÁS Alceu Barroso Lima Neto e Édio José Rodenheber denunciaram ontem, em depoimento à CPI que investiga o esquema PP, que o empresário João Muniz Alves de Oliveira-- integrante da rede de influência montada pelo ex-secretário de Assuntos Estratégicos Pedro Paulo Leoni Ramos-- cobrou comissão de US$500 mil em troca da liberação da PETROBRÁS para a empreiteira Concic realizar obras na refinaria de Mataripe, na Bahia. Segundo um funcionário da Pólo Gerenciamento, de Alves de Oliveira, havia na programação de receita da empresa previsões de recebimento de duas parcelas da Concic, em maio e junho, no valor total de US$500 mil. Estranhamente o Ministério Público não abriu inquérito para apurar o caso da Concic, embora as provas sejam "contundentes", na avaliação dos integrantes da CPI, e a Procuradoria-Geral da República tenha recebido o relatório da comissão de sindicância da PETROBRÁS, que apurou os fatos. Em seu depoimento ontem na CPI do Senado que investiga o esquema PP, o ex- ministro da Infra-estrutura Eduardo Teixeira assumiu inteira responsabilidade pela contratação de Hamilton Sérgio Albertazzi e Célia Lodi (acusados de integrar o esquema) respectivamente para o Departamento Comercial da PETROBRÁS e para a Diretoria Financeira do Petrus (fundo de pensão da estatal). Teixeira era o presidente da PETROBRÁS à época das indicações. Teixeira disse não lembrar de onde partira a orientação para contratar Albertazzi, mas considerou Improvável" versão apresentada à CPI pelo ex-diretor comercial Maurício Alvarenga, segundo quem o Palácio do Planalto determinara a escolha (O ESP).