O governo está enfrentando dois problemas na áreas das contas públicas: uma queda na arrecadação tributária e o efeito da inflação sobre as dotações orçamentárias. O orçamento da União foi elaborado com base numa expectativa de inflação declinante ao longo deste ano, o que não se confirmou. Os estudos do Ministério da Economia apontam uma perda real (descontada a inflação) de 24% na disponibilidade de recursos orçamentários, algo em torno de US$1 bilhão. Enquanto a inflação deforma as dotações orçamentárias, a arrecadação tributária despenca. As projeções da Receita Federal são de que este mês o governo enfrentará uma queda real de 4% somente com a arrecadação do Imposto de Renda das pessoas jurídicas. Entre o volume de recursos arrecadados em junho e o que efetivamente está ingressando nos cofres do Tesouro Nacional está sendo registrado um crescimento nominal não superior a 15%. O governo, segundo explicou uma fonte da área econômica, não irá promover, contudo, novos cortes no orçamento. "A margem para cortes não existe. A decisão é não realizar despesas adicionais", afirmou a fonte. Assim, cada um dos ministérios enquadrará suas despesas ao teto orçamentário destinado para o terceiro trimestre. Este teto prevê a liberação de apenas 24% dos recursos que os ministérios teriam direito não fosse a crise fiscal (JC).