A toxina da difteria, doença que matou centenas de milhares de pessoas em todo o mundo antes da descoberta de uma vacina, é a base de uma nova terapia contra a AIDS. Denominado "bomba genética", o tratamento-- desenvolvimento por cientistas do Laboratório de Biologia e Genética Imunológica do Centro Nacional de Pesquisas da França-- consiste num novo gene composto pela toxina da difteria e pela parte do vírus da AIDS responsável pela sua reprodução. Ao ser transplantado para o sistema imunológico, o gene artificial mata as células infectadas pelo HIV. A nova terapia foi anunciada ontem durante a 8a. Conferência Mundial da AIDS, em Amsterdã (Holanda). A toxina da difteria foi escolhida pelos cientistas franceses por ser a mais tóxica: basta apenas uma molécula para matar uma célula. O tratamento, no entanto, ainda esta em fase de laboratório e não se tem idéia de quando poderá ser aplicado em seres humanos. Dez milhões de crianças poderão estar infectadas pelo vírus da AIDS até o ano 2000. A estimativa, divulgada ontem na conferência, é do Harvard Institute, dos EUA. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), existem cerca de um milhão de crianças portadoras do HIV e 600 mil desenvolveram a doença (O Globo).