A desnutrição crônica atinge entre 20% e 23% das crianças em idade escolar, principalmente na faixa etária de seis a nove anos, nos Estados da Paraíba, Ceará e Piauí. Este é o resultado preliminar de uma pesquisa inédita realizada há um ano nos três estados por técnicos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa Mundial de Alimentos (PMA), Fundação de Assistência ao Estudante (FAE), Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e secretarias estaduais de Educação. A pesquisa resultará no primeiro documento elaborado no país sobre a desnutrição crônica em estudantes da primeira fase do 1o. grau. O documento está sendo elaborado e apontará que existem, com desnutrição crônica, 550 mil crianças matriculadas no 1o. grau das escolas estaduais, municipais e filantrópicas dos três estados. São 275 mil crianças no Ceará, 170 mil na Paraíba e 105 mil no Piauí, os estados mais pobres do Nordeste. A fome que causa a desnutrição é consequência principalmente da seca. As crianças já nascem de mães mal-alimentadas e comem menos da metade do que deveriam. Os dados da pesquisa demonstram que a desnutrição crônica está presente em todas as regiões e em todos os municípios dos estados. Em alguns municípios, a prevalência varia entre 37% a até 60%, como Conceição (PB) e Ribeiro Gonçalves (PI). A desnutrição aumenta com a idade. É mais grave nas crianças com nove anos e ataca mais os meninos do que as meninas. Para tentar mudar o quadro de desnutrição crônica nesses estados, o PMA, com apoio do UNICEF, FAE e secretarias de Educação, elaborou um projeto de ajuda alimentar, no valor de US$32 milhões. O programa já é aplicado. O projeto está previsto para durar quatro anos, atendendo 500 mil crianças, de um total de cerca de 2,6 milhões de estudantes (FSP).