EX-MINISTRO É ACUSADO DE TER SIDO SUBORNADO COM US$50 MIL

A presidente da Comissão de Apoio e Defesa dos Garimpeiros da Amazônia (Codega), Jane Maria Resende, denunciou ontem ter pago, em fevereiro deste ano, US$50 mil ao ex-ministro da Infra-estrutura, João Santana, como parte de um suborno para quebrar o monopólio da administração do garimpo de Serra Pelada (PA), até então nas mãos do ex-deputado Sebastião Curió, que preside a Cooperativa Mista de Mineradores e Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp). Jane Resende protocolou a denúncia no Palácio do Planalto e nas presidências da Câmara e do Senado e hoje a encaminhará ao Ministério Público. Jane apresentou como prova cópia de um contrato entre a Cooperativa Mista dos Garimpeiros Proprietários de Cata de Serra Pelada (Coompro)-- que teria subornado o ex-ministro-- e a empresa Assecon, Assessoria, Consultoria e Comércio Exterior, de Brasília, no valor de US$100 mil mais 450 quilos de ouro. Segundo Jane Resende, o contrato foi decidido na ante-sala de Santana, na presença do assessor do ex-ministro, Nelson Madureira. O acordo, que, segundo ela, incluiu "entrada de US$50 mil para Santana", evitou que o ex- ministro prorrogasse, por portaria, a lei 7.194, que permitia à Coomigasp administrar o garimpo de Serra Pelada. Com a não prorrogação da exclusividade, em 11 de fevereiro, o monopólio foi extinto, permitindo que a Coompro disputasse com Curió a exploração dos rejeitos da cava principal de Serra Pelada, que produzem 100 quilos de ouro por mês, com uma reserva estimada em 3,5 toneladas. O ex-ministro João Santana negou as acusações e ironizou: "Estão me vendendo barato" (O Globo).