EMPRESAS TOMAM INICIATIVA E ACELERAM A INTEGRAÇÃO

A instabilidade política e econômica no Brasil pode ainda torpedear as tentativas de formar um mercado comum na América do Sul, ou ao mesmo tempo retardar o cronograma que prevê para o dia 1o. de janeiro de 1995 a implantação de um mercado único entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, o MERCOSUL. Mesmo assim, uma explosão de comércio, negócios internacionais, queda de barreiras comerciais e progressos constantes na vital mas tediosa harmonização de regulamentos estão dando à integração uma dinâmica própria. Companhias que vão de grandes multinacionais a microempresas locais estão supondo que cedo ou tarde o MERCOSUL se tornará realidade. Essa percepção, por sua vez, acelera a integração. A indústria automobilística começou a integrar operações entre Brasil e Argentina em 1985. É improvável que a indústria automobilística argentina conseguisse sobreviver sem acesso ao mercado brasileiro. Todas as grandes indústrias de carros e autopeças nos dois países estão agora integrando operações e compartilhando capacidade. Na cidade industrial argentina de Córdoba, a maios parte das companhias tem ligações com o Brasil. A fábrica de chocolates Georgalos uniu-se em sociedade à congênere brasileira Lacta para trocar produtos e tecnologias. As ligações entre os setores de serviços, financeiros e agrícolas dos dois países também estão se reforçando. As tendências refletem-se nos números do comércio. Em 1985, o comércio entre os quatro países do MERCOSUL era de US$3,82 bilhões. Em 1991, chegou a US$10,60 bilhões, respondendo por 13% do comércio internacional total dos países em questão, ainda que continuem a existir grandes obstáculos ao comércio (GM).