EX-DEPUTADO DIZ QUE PC FINANCIOU CAMPANHA

O ex-deputado federal Sebastião Curió, 57 anos, ex-membro do PRN (partido do presidente Fernando Collor), disse ontem que pretende depor na CPI do caso PC Farias para provar que recebeu Cr$10 milhões (US$120 mil) de Paulo César Farias para sua campanha a deputado em 1990. Ele afirma que PC atuou como emissário do presidente Collor. Curió quer entregar para a CPI vários documentos, como gravações de conversas telefônicas em que ele tratou da ajuda que receberia com três pessoas: PC, o ex-ministro da Justiça Bernardo Cabral e o atual presidente da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Adelar Scheuer. As denúncias foram publicadas na edição desta semana da revista "Veja". Segundo o ex-deputado, no dia 12 de junho de 1990, ele foi ao Planalto pedir ao presidente que a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada ganhasse a concessão para garimpar naquela área. Segundo Curió, Collor não só deu a concessão, como também ofereceu ajuda à sua candidatura. Curió diz que recebeu a ajuda através de dois cheques do Banco Rural de Cr$5 milhões (na época), em 90. Segundo ele, uma pessoa de confiança afirma ter visto Jorge Bandeira, sócio de PC na Brasil-Jet, assiná-los, embora estivessem em nome de José Carlos Bomfim e Regina Bomfim. A promessa feita por Collor de ajudar na campanha de Curió, segundo o ex-deputado, foi feita durante dois encontros que eles tiveram em Brasília. Collor teria dito a Curió que ele seria procurado por Bernardo Cabral. Cabral teria procurado Curió no dia três de setembro de 90 e teria dito que ele seria procurado por uma pessoa que lhe daria a ajuda pedida. No dia seguinte seria a vez de PC telefonar para Curió. Nesse telefonema, PC diz que procurou Curió a pedido de um pessoa que se chama de "nosso amigo". "Essa pessoa só poderia ser o presidente", afirma Curió. PC pediu a Curió que ligasse para Scheuer, para agradecer a ajuda. Na época, Scheuer era diretor da Mercedes Benz do Brasil. PC teria pedido para que a ex-ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, adotasse medidas que favoreceriam a Mercedes. As boas relações entre Curió e PC começaram a se deteriorar a partir de dezenbro de 90. "O PC queria que eu assinasse contrato com uma empresa indicada por ele para fazer uma obra em Serra Pelada. Eu já tinha acertado tudo com a Servaz. Paulo César ordenou que eu não assinasse o contrato e fosse com ele a São Paulo, para acertar o contrato com outra empresa", disse o ex-deputado, lembrando que PC ameaçou intervir para que a Caixa Econômica de Manaus não liberasse um crédito à Servaz. O porta-voz da Presidência, Pedro Luiz Rodrigues, negou ontem que o presidente Collor tenha ajudado o ex-deputado. "O presidente desmente qualquer ajuda", afirmou o porta-voz (FSP) (O Globo) (JB).