BRIGA DE EMPREITEIRAS EXPÕE ROTEIRO DAS FRAUDES

A decisão de abrir processo administrativo contra a Construtora OAS, da Bahia, tomada semana passada pela Secretaria Nacional de Direito Econômico (SNDE) do Ministério da Justiça, com base em representação da concorrente CR Almeida, do Paraná, registra uma briga de sete "titãs" da construção pesada. Esse político localizado possui aspectos políticos e econômicos, mas é fundamentalmente de interesses. O jornal O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde tiveram acesso com exclusividade ao dossiê da CR Almeida, que acusa a OAS de "monopólio" de licitações públicas por meio de editais dirigidos. O dossiê relaciona oito casos, que se desdobram em centenas. A CR Almeida acusa a concorrente de controlar o Ministério da Ação Social e a Secretaria de Desenvolvimento Regional, cujos financiamentos são oriundos da Caixa Econômica Federal, principalmente do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). De acordo com o relatório da CR Almeida, a OAS, que tem como um dos sócios César Matta Pires, genro do governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães (PFL), "não executa as obras que contrata, subempreitando-as a pequenos executores por porcentuais baixos garantindo a sua lucratividade sem nenhum risco". A representação encaminhada à SNDE, assinada pelo dono da CR Almeida, o empreiteiro Cecílio do Rego Almeida, afirma que a concorrente atua como mera intermediária de obras públicas. A empreiteira paranaense afirma que pelas análises preparadas pela revista Exame a OAS manteve faturamento e lucratividade estáveis entre 1987 e 1989; porém, no ano de 1990, seu faturamento dobrou e sua lucratividade triplicou. Com isso, no balanço de evolução da lucratividade, a OAS passou de 17% em 1987 para 48% em 1990. No período, a empreiteira baiana saltou do 7o. lugar no ranking da construção pesada para o 3o. lugar, atrás da Andrade Gutierrez e da CR Almeida. Curiosa é a incredulidade dos grandes empreiteiros nesses balanços que originam o ranking. Isso porque nesse ranking está computado por exemplo que a CR Almeida teve 3.015 funcionários em 1987, e o total em 1990 baixou para 1.926 empregados. Normalmente, no meio dos empreiteiros não existem brigas. Muito menos são usuais alentados dossiês de uma construtora contra outra. Por muito menos, recentemente, a Andrade Gutierrez transferiu de país dois funcionários que mantém no exterior: eles entregavam para os contratantes da Norberto Odebrecht exemplares da revista Veja com reportagens sobre a empreiteira e a obra do Canal da Maternidade, no Acre, relatando o pagamento de propinas ao ex-ministro Antônio Rogério Magri (O ESP).