O Instituto Americano das Culturas Índias do Brasil (Iacib) denunciou, ontem, ao Tribunal de Contas da União (TCU), superfaturamento na licitação para a demarcação da reserva yanomani, em Roraima. Segundo o presidente do Instituto, Davi Terena, em outubro de 1991, dois meses antes de ganhar a concorrência para demarcar a reserva yanomani por Cr$1,7 milhão o metro quadrado, a empresa Asserplan ganhara concorrência semelhante para demarcar terras para o INCRA, cobrando Cr$480 mil o metro quadrado, ou seja, um terço do preço. Mesmo que aplicássemos o índice de inflação de 25% para os dois meses
48699 seguintes, o valor não chegaria à metade do cobrado pela Asserplan, disse Terena. Davi Terena acusa o presidente da FUNAI, Sidney Possuelo, de ter dirigido a concorrência, pois assim que foi publicado o edital para a demarcação, ele afirmara dispor de Cr$3 bilhões para fazer o trabalho. A proposta vencedora foi de Cr$2,9 bilhões. O Instituto é uma entidade que congrega três nações indígenas: Terena, Caiuã e Bacairi. Embora os yanomanis não sejam filiados ao Instituto, Davi Terena alega que resolveu sair em defesa deles para evitar que dinheiro da FUNAI seja desperdiçado (O Globo).