As cadernetas de poupança não estão livres do pagamento da Contribuição sobre Transações Financeiras (CTF), novo imposto que o governo quer criar com o projeto de reforma fiscal, enviado ao Congresso Nacional no último dia 16. A CTF taxará em 0,3% todos os saques da poupança, deduzindo o rendimento de 0,5% mensal das cadernetas. Para evitar que o novo imposto incida sobre os ganhos dos poupadores, o Congresso terá que aprovar lei complementar. Numa inflação de 20%, uma aplicação de Cr$100 mil teria, ao final de um mês, correção de Cr$20 mil e um rendimento real (juro de 0,5%) de Cr$600,00. Se o saldo de Cr$120.600,00 fosse sacado, o poupador pagaria Cr$301,50 de CTF, perdendo 60,3% do rendimento real. Esse imposto será comparativamente alto se a pessoa sacar automaticamente
48687 um mês após a aplicação. Se sacar com prazo maior, pagará menos CTF, afirma o secretário de Política Econômica, Roberto Macedo. A CTF funcionará, para ele, como um estímulo ao alongamento das aplicações. A Receita Federal já começou a estudar a regulamentação da proposta da CTF, mas coloca em dúvida a eficácia do imposto em termos de arrecadação. Cálculos da comissão de reforma fiscal, contudo, indicam que de cada 0,1% cobrado será possível obter 1% do Produto Interno Bruto (PIB), o que corresponde hoje a US$4,2 bilhões (JB).