EX-MINISTRO CONFIRMA ESQUEMA PP NA PETROBRÁS

A CPI do Senado que apura irregularidades na PETROBRÁS e nos fundos de pensão, obteve ontem o primeiro indício concreto de que o ex-secretário de Assuntos Estratégicos, Pedro Paulo Leoni Ramos, interferia diretamente nas nomeações e nos negócios da estatal. De acordo com o ex-ministro da Infra-estrutura, João Santana, Leoni tentou nomear para a presidência da PETROBRÁS dois antigos colaboradores do "Bolo de Noiva" (anexo do Itamaraty onde o presidente Fernando Collor começou a elaborar seus planos econômicos) que mais tarde foram demitidos sob a acusação de terem facilitado negócios com o esquema PP: Raul Mosmann e Wagner Freire. Mosmann foi demitido em abril último da diretoria de Produção depois de ser acusado de "omissão" pela comissão de sindicância que apurou as denúncias de corrupção na PETROBRÁS. Ele era suspeito de ter relações com o consultor João Alves, da Pólo Petróleo, acusado de tentar cooptar funcionários da empresa para um esquema privado de negócios. Freire, superintendente da PETROBRÁS American Incorporation (PAI), nos EUA, foi afastado em junho depois da comissão constatar seu empenho em tentar fazer um negócio irregular (FSP).