A secretária de Paulo César Farias na Brasil-Jet, Rosinete Melanias de Carvalho, 29 anos, a Rose, deu ontem à CPI depoimento que comprova a existência de um esquema bancário que liga o empresário ao presidente Fernando Collor. Ela disse que fez pelo menos um depósito na conta bancária de Ana Acioli, secretária de Collor. Rose disse que a remessa ocorreu há cerca de um ano, mas não informou o valor. "O dr. Paulo César pediu que eu tirasse o dinheiro da conta da EPC para enviar a Ana", declarou. A EPC (Empresa de Participações e Construção Ltda.) é outra empresa de PC. O dinheiro era usado supostamente por Acioli para pagar despesas da Casa da Dinda, residência do presidente da República. O depoimento de Rose derruba os argumentos do pronunciamento presidencial do último dia 30. O discurso negou relação entre Collor e PC e afirmou que as contas de Acioli eram supridas apenas por Cláudio Vieira, ex- secretário do presidente. A secretária de PC admitiu ter feito muitas ligações para o Palácio do Planalto, mas disse que telefonava apenas para conversar com Ana sobre fofocas lá de Maceió. A secretária confirmou também que a EPC prestou serviços para o grupo Votorantim e a construtora Odebrecht. Um levantamento preliminar da CPI revelou que devem ser falsos os CPFs de seis pessoas que depositavam dinheiro na conta da secretária de Collor. Os CPFs de depositantes como Rosalinda Cristina, Flávio Maurício e Rosimar Francisca, por exemplo, não correspondem aos nomes. Segundo concluíram alguns parlamentares, essas pessoas não existem. Por isso, a CPI pediu que Rose fizesse suas assinaturas, para exame grafotécnico. A CPI acredita que ela pode ser Rosimar e Rosalinda. Entre os emitentes de cheques depositados na conta de Ana Acioli, apenas Jorge Luiz Conceição, suspeito de ser doleiro, possui CPF regular. Um depositante utilizou o CPF de um morto, outro usou dois números de CPF e três estão registrados na Receita Federal sob o mesmo número. Segundo o encanador e eletricista Aristeu Borges, PC tomava "emprestado" funcionários da Casa da Dinda para trabalhar na reforma de sua casa em Brasília. Borges trabalhou mais de um ano na Casa da Dinda ao mesmo tempo em que prestava serviços na casa de PC. O delegado federal Paulo Lacerda, que preside o inquérito do caso PC Farias, revelou ontem que apenas as 60 notas fiscais da EPC, apreendidas pela PF, somam US$15 milhões (Cr$60 bilhões), valores pagos por consultoria à empresa de PC por empreiteiras como Andrade Gutierrez, Norberto Odebrecht, Tratex e Votorantim. Somente a Andrade Gutierrez pagou à EPC US$1,7 milhão (FSP) (O Globo) (JB).