A política argentina de âncora cambial, que favorece as importações e desestimula as exportações, deverá ser a principal responsável pela manutenção daquele país no segundo lugar no ranking de compradores de produtos brasileiros durante 1992. Depois de encerrar a primeiro semestre com US$1,26 bilhão em compras, a Argentina deverá alcançar volume semelhante na segunda metade do ano. Essa é, ao menos, a projeção do diretor-delegado da Câmara de Comércio Brasil-Argentina em Buenos Aires, Miguel Fragine. Com o avanço do MERCOSUL é inevitável que aumente o comércio entre os
48636 dois países, diz Fragine. Segundo ele, além desse crescimento esperado existe um componente agregado, conjuntural, que pode ser creditado aos problemas cambiais internos argentinos. "Um dia voltaremos a ter equilíbrio ou mesmo a um superávit argentino", prevê Fragine. O setor de autopeças brasileiras, ao contrário, vê com bons olhos o aumento das exportações. Ante um total de US$140 milhões vendidos na Argentina no ano passado, a previsão para 1992 é de US$350 milhões. "As perspectivas são extraordinariamente boas", prevê Cláudio Vaz, presidente do SINDIPE>AS, o sindicato que reúne os fabricantes de autopeças (GM).