A Comunidade Econômica Européia (CEE) vai taxar em 5% as exportações brasileiras de soja em grão e farelo que excederem uma cota ainda a ser determinada. A notícia causou grande apreensão ao Brasil, que tem na Europa seu principal mercado consumidor desses produtos. Em comunicado ao embaixador brasileiro junto à CEE, Jório Dauster, ontem, em Bruxelas, os representantes europeus garantiram, entretanto, que essa cota será "generosa". A nova taxa para esses dois itens do complexo soja reflete as mudanças na Política Agrícola Comum (PAC), que reduziu em 30% os subsídios. Para compensar essa redução e para evitar que os produtos alternativos da soja sejam prejudicados, a CEE dediciu rever a concessão unilateral que fez em 1962, durante a Rodada Dillon, do GATT, de isentar de impostos alfandegários as importações de soja em grão e farelo, taxando apenas em 10% o óleo. A notícia causou preocupação ao governo brasileiro e à Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE). Ontem, os ministros das Relações Exteriores, Celso Lafer, e da Agricultura, Antônio Cabrera, reuniram-se com o presidente da ABIOVE, Raul Paulo Costa, para discutir o assunto. Eles previram um "efeito catastrófico" caso a CEE imponha uma taxa para as exportações do complexo soja. Lafer anunciou que está fazendo gestões em alto nível junto à CEE e aos parceiros do MERCOSUL, sobretudo a Argentina e o Paraguai, que também produzem soja. A CEE é o principal mercado para as exportações brasileiras. Em 1991, a CEE absorveu 6,2 milhões de toneladas de farelo ou 83% do total, no valor de US$1,1 bilhão. Com relação à soja em grão, a CEE importou, no ano passado, 1,6 milhão de toneladas, correspondendo a US$374 milhões. Isso significa que a CEE comprou 92% do total das exportações (GM).