A União Industrial Argentina defende correções no processo de integração do Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL). Ela exige o cumprimento de "certas regras teóricas", segundo Claudio Sebastiani-- diretor da União Industrial Argentina (UIA) e responsável pelo Departamento de Relações Internacionais da entidade-- que foram deixadas de lado. A principal, diz o empresário, é a harmonização de políticas econômicas entre os países- membros como, por exemplo, a política cambial. Em dezembro, quando estive no Brasil, o dólar valia Cr$1 mil; hoje vale
48629 Cr$4 mil, diz Sebastiani. ""Na Argentina, porém, o dólar continua valendo um peso, e a paridade cambial não é corrigida há um ano", acrescenta. O empresário atribui a esta diferença de políticas cambiais o atual desequilíbrio no comércio entre os dois países-- que, com um superávit de US$6 milhões para os argentinos em 1991, dá um saldo positivo de US$250 milhões para o Brasil nos três primeiros meses do ano. Ele argumenta que a divergência de políticas cambiais ente os dois países impede a livre concorrência, o que pode ameaçar o projeto do MERCOSUL. Porém Sebastiani, que também é presidente da Associação de Industriais da Província de Buenos Aires, defende a adoção de medidas para reequilibrar a balança comercial argentino-brasileira, como ajustes estruturais capazes de tornar a economia argentina mais competitiva e mesmo sobretaxas para o ingresso dos produtos brasileiros no mercado argentino. Ele cita a recente reforma portuária argentina como um ajuste que aumentou a competitividade argentina ao cortar custos. Os cálculos da UIA indicam que o corte de custos provocados pela reforma
48629 portuária elevou em 2% a 3% a paridade cambial do peso, diz o empresário. Além da reforma portuária, a abertura de linhas de crédito para a exportação e a redução de tarifas, das taxas de juros e dos encargos trabalhistas, por exemplo, são medidas capazes de compensar a supervalorização cambial. Mas Sebastiani lembra que não se pode manter por muito tempo a diferença entre as políticas econômicas do Brasil e da Argentina, sob pena de prejudicar o processo de integração comercial. "Ou a Argentina adota um sistema de correção cambial como o que há no Brasil, ou os brasileiros adotam uma paridade fixa, como a que foi introduzida na Argentina com a dolarização, para permitir o sucesso da integração comercial", afirma o diretor da UIA. Os protestos da UIA contra o crescimento das exportações brasileiras vêm sendo feitos desde o começo do ano. Em fevereiro passado eles protestaram ao ministro da Economia argentina, Domingo Cavallo, contra a decisão do governo brasileiro de abrir linhas de financiamento às exportações brasileiras. Conseguiram algum resultado. Já na próxima semana passa a funcionar naquele país um banco de comércio exterior, que permitirá aos industriais argentinos buscar linhas externas de financiamento às exportações (O ESP) (GM).