Os psicanalistas Leão Cabernite e Ernesto Laporta estão proibidos de exercer a medicina por omissão e conivência com a tortura durante a ditadura militar do país. Esta foi a decisão unânime dos 21 votantes do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ), tomada ontem. Leão era presidente da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SP-RJ) e analista didata do ex-médico Amílcar Lobo em 1970, época em que este colaborava com os torturadores do DOI-CODI. Ernesto era professor de Amílcar, na qualidade de diretor do Instituto de Ensino de Psicanálise da SP-RJ. Durante toda a década de 70, os dois tentaram ocultar o envolvimento de Amílcar com a tortura, um procedimento que o CREMERJ considerou antiético. Amílcar Lobo teve o registro médico cassado em 1988. O julgamento de ontem precisa ainda ser ratificado pelo Conselho Federal de Medicina, mas até lá os dois não podem exercer a profissão (JB).