O relator da CPI que investiga denúncias de irregularidades do ex- secretário de Assuntos Estratégicos Pedro Paulo Leoni Ramos, senador Cid Sabóia (PMDB-CE), disse ontem que chegou a indícios que envolvem a ex- ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, em casos de corrupção na PETROBRÁS e nos fundos de pensão estatais. Um deles são as ligações de Zélia com seu amigo Nélson Tanure, dono da Sade-Engenharia, empresa que vendeu ações sem valor no mercado para fundos de pensão. O outro indício é o advogado e consultor João Muniz de Oliveira Alves, da Polo Petróleo, acusado de cooptar pessoas da PETROBRÁS para um esquema de corrupção. O senador disse ter apurado que "Zélia era a fonte de poder de Alves". O diretor da área de produção da PETROBRÁS, João Carlos França De Luca, também confirmou à CPI ter sido vítima de uma tentativa de tráfico de influência pelo advogado e consultor João Alves. Segundo De Luca, João Alves tentou fazê-lo assinar uma carta de demissão com data em branco, como garantia de que permaneceria no cargo com a mudança da diretoria da estatal, em outubro de 1990. Os ex-ministros da Infra-estrutura, Eduardo Teixeira e João Santana, foram ontem envolvidos na CPI do PP. O ex-diretor comercial da PETROBRÁS, Maurício Alvarenga, disse em depoimento à CPI que Teixeira e Santana sabem o nome da autoridade de Brasília que indicou o chefe de um grupo que realizou uma série de negócios irregularidades na empresa-- Hamilton César Albertazzi, ex-superintendente comercial da PETROBRÁS. Segundo Alvarenga, Albertazzi teria realizado cinco operações que causaram prejuízo de US$1 milhão à PETROBRÁS e tentado realizar outras seis (FSP) (O Globo).