PF DENUNCIA AMEAÇAS CONTRA TESTEMUNHAS

A Polícia Federal está convencida de que um grupo atua paralelamente à CPI do caso PC Farias para impedir que as investigações se aproximem do presidente Fernando Collor. O delegado Paulo Lacerda, que preside os trabalhos na PF, disse que testemunhas estão sendo pressionadas, pessoalmente e por telefone. "Existe uma ação nos bastidores para manipular quem vem ou deveria depor. Isto tem acontecido quando as investigações se aproximam do Planalto ou da Casa da Dinda-- quando se aproximam da figura do sr. presidente da República", declarou. A PF aponta como exemplo o rapto e as ameaças de morte a um funcionário da Brasils Garden. A empresa fez uma reforma e cuidava dos jardins da Casa da Dinda. A CPI suspeita de que os serviços eram pagos por PC Farias. No depoimento feito anteontem à CPI, a secretária do presidente Collor, Ana Acioli, confirmou que costumava mandar o motorista Francisco Eriberto França à empresa Brasil-Jet, de PC. As viagens, segundo ela, eram feitas para apanhar "encomendas" enviadas de São Paulo por Rosinete Melanias, secretária de PC. Os partidos de oposição divulgaram nota de repúdio às pressões exercidas por autoridades e órgãos governamentais visando intimidar a
48597 CPI. Assinaram a nota o PMDB, PT, PSDB, PSB, PPS, PST e PC do B. Ontem, o presidente Collor atacou diretamente pela primeira vez a Comissão. Em novo bilhete, acusou-a de cometer "uma violência e uma desumanidade para com a mãe e a mulher" Ana Acioli ao "forçar seu depoimento". Em resposta, o presidente da CPI, deputado Benito Gama, afirma que "As preocupações do senhor presidente, se existem, poderão ser por outros motivos", pois o depoimento foi conduzido "com o maior equilíbrio, seriedade e responsabilidade". Está em tramitação na relatoria da CPI um requerimento pedindo que o Planalto entregue as declarações de Imposto de Renda do presidente Collor dos últimos três anos. A oposição está convencida de que conseguiria provar a incompatibilidade entre gastos e receitas do presidente-- o que configuraria crime fiscal e, portanto, de responsabilidade. O requerimento foi encaminhado ao relator da CPI, deputado Amir Lando (PMDB-RO), pelos deputados José Dirceu e Aloízio Mercadante e pelo senador Eduardo Suplicy, todos do PT paulista. Por ordem do procurador-geral da República, Aristides Junqueira, 12 processos movidos pelo Banco do Brasil contra PC foram reabertos ontem pela Justiça Federal de Alagoas. Nos processos, arquivados em 1989 pela Justiça estadual, PC é acusado de emitir notas frias, duplicatas para bancos após o recebimento à vista e vender tratores a diesel como se fossem a álcool. Ele poderá ser indiciado por estelionato nos próximos dias e condenado a uma pena entre cinco e 60 anos de prisão (FSP) (O Globo).