Os acusados de envolvimento na "quebra" do Grupo Coroa/Brastel, do empresário Assis Paim Cunha, deram, ontem, seus depoimentos sobre a transcrição das fitas cassetes que o empresário entregou a Justiça. O advogado Maurício Cibulares foi o único a assumir tudo que está dito (por ele) nas gravações. Ele afirma que "o perigo das fitas é o de misturar dois casos distintos". "As gravações se referem a 1981, quando Paim comprou a Laureano (Laureano S/A Corretora, do empresário Roberto Santos Laureano). A Coroa/Brastel estourou no dia 27 de junho de 1983". Cibulares diz que "havia a máfia das liquidações" e que a Lei 1342, de 1974 (dando poderes aos liquidantes) oficializava todas as "mamatas". Sobre o ex-ministro da Casa Civil, general Golbery do Couto e Silva, Maurício Cibulares afirma que "ele não operava nesse setor e passou o caso da Laureano para o Delfim Neto (ex-ministro do Planejamento) resolver". "E é preciso entender que no ambiente da ditadura, todos, sem exceção, se sentiam frágeis nos cargos. Todos tinham interesse em estar bem com o Golbery". Para Cibulares "não houve exageros. Houve licença". O ex-ministro Antônio Delfim Neto afirmou que nunca viu Assis Paim Cunha e negou que tenha convocado o empresário para uma reunião em Brasília para tratar da compra da Corretora Laureano pelo Grupo Coroa/Brastel. O ex-presidente do Banco Central (de janeiro de 1980 a setembro de 1983), Carlos Langoni, disse que as fitas são "documentos de natureza espúria e de origem duvidosa, onde terceiros manifestam sua opinião sobre quartas pessoas". Langoni afirmou, ainda, que quando foi presidente do BC não concedeu nenhuma assistência financeira à Corretora Laureano". O general Newton Cruz, ex-chefe da agência central do Serviço Nacional de Informações (SNI) na época em que foram realizadas as gravações do escândalo Coroa/Brastel, disse que só tomou conhecimento das fitas através do jornal. Ele afirmou que quando estava no SNI nunca ouviu falar ou autorizou qualquer serviço desta natureza. O empresário Roberto Santos Laureano, exportador de tecidos da Tradival, e ex-proprietário da Laureano S/A Corretora, disse que Paim "é no mínimo um mentiroso" e prometeu mover ação na Justiça por injúria, calúnia e difamação. Laureano afirmou, ainda, que a compra da corretora pelo Grupo Coroa/Brastel foi "um bom negócio", e nega que tenha havido qualquer pressão sobre Paim para que a efetuasse. O diretor de Fiscalização do Banco Central, José Tupy Caldas de Moura, disse que enviará uma carta à imprensa pedindo esclarecimentos sobre o envolvimento de seu nome no caso Coroa/Brastel (JB).