ARGENTINA TEME CONCORRÊNCIA BRASILEIRA

Os empresários argentinos estão alarmados com o aumento das importações de produtos brasileiros e pressionam o governo de Buenos Aires para adotar medidas protecionistas contra o principal sócio do Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL). Segundo revelaram ontem fontes da União Industrial Argentina (UIA), a mais poderosa associação empresarial do país, à agência de notícias "EFE", os empresários argentinos querem a adoção de uma taxa alfandegária especial sobre produtos do Brasil, pedido negado pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo. A UIA, em seu boletim, observa que os brasileiros tiveram um superávit de US$250 milhões no intercâmbio comercial com os argentinos apenas durante os três primeiros meses do ano, o que projeta um saldo negativo recorde de US$1 bilhão para todo o ano. A política de abertura comercial do governo argentino possibilitou aos brasileiros abocanharem 40% do mercado local de rodas para automóveis, 25% das vendas de calçados e 20% do comércio de móveis-- item cujo custo de produção no Brasil equivale a apenas 40% do encontrado na Argentina--, assegura o boletim. Embora apóie o projeto do MERCOSUL, a UIA reclama que a atual paridade cambial do dólar norte-americano em relação ao peso argentino e ao cruzeiro favorece o Brasil. A taxa de câmbio na Argentina de um peso por dólar está congelada desde a decretaçao do Plano Cavallo, há pouco mais de um ano. Críticas-- O ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, respondeu às pressões dos empresários com duras críticas. "Não creio que a UIA peça que criemos um hospital de empresas", ironizou Cavallo. "O governo não vai subsidiar os ricos nem os empresários que administraram mal seus negócios", declarou. Ele acrescentou que há empresas ineficientes "porque tem uma tecnologia inadequada ou funcionários improdutivos, ou porque seus donos retiram o dinheiro em vez de reinvesti-lo". O MERCOSUL prevê a abolição gradativa de todas as barreiras alfandegárias entre seus países-membros-- Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai-- até 1o. de janeiro de 1995. Porém, o projeto do MERCOSUL já provoca um aumento do intercâmbio entre os países-membros, o que levou outras nações a procurarem entrar no bloco. A Bolívia já fez um pedido oficial de ingresso no MERCOSUL e o Peru pretende pedir sua adesão em breve. Em junho, os presidentes dos quatros países do MERCOSUL aprovaram uma série de normas que permitem a apresentação de queixas de concorrência desleal dentro do bloco (O ESP) (O Globo).