Para o setor do fumo, o principal risco do MERCOSUL está na implantação do livre mercado sem a definição e efetiva observância de regras e mecanismos adequados que garantam a propriedade industrial, tratamento fiscal semelhante pelos quatro países e que coíbam os processos ilegais de reexportação. A produção brasileira atinge 431 mil toneladas/ano de fumo (para um consumo de 156 bilhões de cigarros), enquanto o principal concorrente, a Argentina, produz somente 93,4 mil toneladas/ano e consome 34,1 bilhões de cigarros/ano. A grande oportunidade do setor reside no potencial de aumento da competitividade do fumo dos países-membros do MERCOSUL face aos demais blocos econômicos. No setor da avicultura, por exemplo, Brasil, Argentina e Chile detêm 17% da produção mundial, mas, embora só o Brasil produza 2,85 milhões de toneladas/ano, contra 450 mil toneladas da Argentina e 20 mil toneladas do Uruguai. Por esse motivo, os industriais gaúchos do setor prevêem a formação de joint-ventures, não só na avicultura, mas também na área de grãos, com o advento do MERCOSUL. Ainda assim, eles apontam os custos portuários gaúchos como o grande problema, além dos subsídios à exportação praticados hoje pelos EUA e pela Comunidade Econômica Européia (CEE). Já no complexo da soja, a grande queixa dos produtores brasileiros está na carga tributária praticada atualmente no Brasil: ela atinge os 13,65% contra os 7,5% cobrados na Argentina na soja; 11,75% contra 1,5% no farelo de soja; e 8,65% contra 1,5% no óleo de soja (JB).