Cerca de US$8 bilhões (valor nominal, excluindo-se a capitalização de juros) é a quantia que o Brasil tem a receber de países da América Latina, Caribe, África, Oriente Próximo (Egito e Iraque, basicamente) e Europa Oriental (Polônia). Para convencer seus devedores a sentar-se à mesa de negociações, o Comitê de Avaliação de Créditos Externos (Comace), integrado por representantes dos Ministérios da Economia, Relações Exteriores, Banco Central, Banco do Brasil e Secretaria do Tesouro Nacional, vale-se de dois argumentos: oferece condições de renegociação favoráveis e acena com a possibilidade de concessão de novos créditos comerciais assim que a dívida for paga, observou o embaixador José Arthur Denot Medeiros, diretor do Departamento de Assuntos Internacionais do Ministério da Economia (DEAIN). O processo de recuperação de créditos começou há um ano. Os resultados são promissoras, de acordo com Denot Medeiros, porque já existem acordos de reescalonamento negociados com a Polônia (US$1,8 bilhão, depois que o Brasil, seguindo o Clube de Paris, perdou 50% dos débitos daquele país), com a Costa Rica (US$40 milhões), Moçambique (US$325 milhões), Guiana (US$37,5 milhões) e Suriname (US$70,5 milhões). Angola já está no seu segundo convênio de crédito, tendo reduzido sua dívida para US$900 milhões. Já estão marcadas negociações futuras com a Nicarágua (US$90 milhões), em agosto, com a Zâmbia (US$45 milhões), também em agosto, e com a Costa do Marfim (US$12 milhões), em setembro (GM).