O governo federal autorizou no dia 16 de junho deste ano a liberação de Cr$1,214 bilhão para a construção de um trecho ferroviário em Candeias (BA), cujas obras estão paralisadas desde maio de 1991. O dinheiro foi pago à Construtora Norberto Odebrecht três semanas antes de o juiz Guilherme Couto de Castro, da 10a. Vara de Justiça Federal do Rio de Janeiro, ter anulado por "suspeita de superfaturamento" o contrato firmado entre a empreiteira e a RFFSA. O contrato no valor de US$130 milhões entre a Odebrecht e a estatal foi assinado no dia 10 de fevereiro de 1990, ainda no governo Sarney. A primeira ordem de serviço e o consequente desembolso da primeira parcela do dinheiro, só saiu em setembro daquele ano, após a empreiteira ter pago cerca de Cr$1 bilhão à EPC (Empresa de Participações e Construção Ltda.), uma das empresas de Paulo César Farias, o PC. O pagamento, em varias parcelas, foi comprovado pela Polícia Federal, que apreendeu pelo menos 600 notas fiscais emitidas pela EPC para grandes conglomerados industriais. A Odebrecht informou que a EPC foi contratada para prestar serviços de "assessoria econômica e fiscal" (O ESP).