CONCORRÊNCIA NÃO PREOCUPA

A economia gaúcha assimetrias e identidades de produção com os setores produtivos da Argentina, Uruguai e Paraguai, países que forma o MERCOSUL, mas não precisa ter medo de concorrências absurdas, pois "não existem fantasmas", e ainda há muito tempo para o Rio Grande do Sul se adequar a uma competitividade com os outros países. Essas são as principais conclusões do primeiro documento setorial sobre o MERCOSUL, colhidas pela Comissão do Mercado Comum do Sul (Sulmerco), da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS). O trabalho, intitulado "Termos de referência sobre setores da economia gaúcha face ao processo de integração" analisou, por quatro meses, 20 segmentos industriais do estado, responsáveis por 18% do PIB gaúcho. Consolidou posições e depoimentos que servirão para uma radiografia da economia gaúcha frente ao desafio da futura integração dos países do Cone Sul. Nosso primeiro objetivo, com esse trabalho, foi o de uma auto-
48530 informação, justamente porque existiam muitos fantasmas sobre o MERCOSUL, observou o coordenador do Sulmerco, Gilberto Mossmann. Os setores mais sensíveis e sujeitos a problemas, com o advento do MERCOSUL, são a agricultura, o setor lácteo, o do vinho, têxtil, couro e conservas. "São problemas, no entanto, perfeitamente solucionáveis por ações da própria iniciativa privada, ou em parcerias com o governo", afirmou Mossmann. Na soja e no trigo, dentro da agroindústria, os problemas tês soluções internas possíveis. "No trigo, a nossa maior dificuldade esta na qualidade de nossas sementes, em relação à preferência do mercado dos outros países. Na soja, a questão é produtividade, até para diminuir a ociosidade de nossa capacidade industrial instalada". No setor dos vinhos, o Brasil pode competir bem com a produção dos vinhos finos argentinos e chilenos. O setor de conservas do Rio Grande do Sul, que reúne cerca de 20 indústrias situadas no Município de Pelotas, é o mais vulnerável frente ao processo de integração. Segundo Gilberto Mossmann, o setor de conservas, cujas fábricas operam com aspargo, pêssego, morango, ervilha, pepino, figo, milho e abacaxi, está preocupando principalmente quanto à prática de "dumping" pelos argentinos, dado ao uso de subsídios concedidos pelo governo. Isso poderá contribuir para agravar a situação das empresas que não conseguem repassar seus custos. O ponto positivo apurado pela FIERGS relaciona-se com o setor calçadista, que, integrado com os argentinos, tem condições de ampliar a competitividade internacional. Na macroeconomia, a grande questão gaúcha e brasileira para enfrentar a concorrência do MERCOSUL está na carga tributária. "Temos impostos demais em relação às economias dos outros países", disse Mosmann (JC) (GM) (JB).