O projeto de lei de patentes e marcas que tramita no Congresso Nacional foi o grande vilão da mesa redonda "A quem percente os genes?", ontem, durante a 44a. Reunião Anual da SBPC, em São Paulo. O diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, João Lúcio de Azevedo, criticou a omissão do projeto no que se refere a microorganismos. "O projeto proíbe a patente de animais e plantas, mas não fala nada de microorganismos", explica Azevedo. "Se não fala é porque pode, o que abre uma brecha para, por exemplo, se romper a célula de uma planta e patentear a cultura de célula como se fosse microorganismo". Azevedo denunciou também a coleta sistemática de microorganismos na Amazônia para serem levados para outros países. "Japoneses, alemães e ingleses chegam como turistas e coletam madeiras e solo. Nos seus países, eles isolam o microorganismo e vendem para empresas", denunciou (JB).