USINAS DO NORDESTE NÃO QUEREM VENDER PARA O MERCOSUL

As usinas de açúcar e álcool do Nordeste não têm interesse em exportar suas produções para os países integrantes do MERCOSUL. A declaração é do presidente do Sindicato da Indústria de Açúcar e Álcool do Estado de Pernambuco, Gustavo Perez Queiroz. Os produtores brasileiros estão discutindo com os produtores daqueles países mecanismos que possibilitem a exportação de álcool em troca da garantia de que seus mercados de açúcar se manteriam fechados. Por enquanto, são discussões entre produtores, em busca de uma posição consensual para ser encaminhada a seus governos. Se, através de legislação, se obrigar fazer a mistura de álcool à
48495 gasolina naqueles países abre-se mais um mercado consumidor de álcool
48495 para o país, acrescentou Queiroz. Ele explicou que, em razão da distância entre a região Nordeste e os países do MERCOSUL, é melhor que o Nordeste continue se preocupando em expandir suas exportações de açúcar para seus mercados tradicionais ou outros países, mas não aqueles que formam o MERCOSUL, deixando que a região Centro-Sul supra a eventual demanda de álcool que haveria. Ricardo Sampaio, diretor-presidente da Usina Roçadinho de Alagoas-- 8a. no ranking do setor na região, com uma moagem de 850 mil toneladas de cana por ano--, compartilha da mesma análise de Queiroz. Técnica e geograficamente não se justificaria levar álcool ou mesmo açúcar do Nordeste para os países do MERCOSUL, já que a região Centro-Sul também tem excedentes, diz ele. Segundo Queiroz, em algumas ocasiões, quando a safra de cana-de-açúcar da Argentina, do Uruguai ou do Paraguai foi menor, estes países importaram açúcar do Nordeste, mas eram pequenas quantidades. Os grandes compradores são Japão, países árabes, EUA (que têm um sistema de cota), países da África e da Oceania. Na safra 1992/93, o Nordeste exportará 1,2 milhão de toneladas de açúcar (GM).