DOCUMENTOS REVELAM QUE COLLOR NEGOCIOU COM PC

Documentos obtidos pelo jornal Folha de São Paulo no último dia 7 comprovaram pela primeira vez relações comerciais entre o presidente Fernando Collor e Paulo César Farias, o PC. Em 4 de fevereiro de 91, o presidente comprou um terreno vizinho à Casa da Dinda. O negócio foi feito através de uma operação triangular, na qual PC aparece apenas como intermediário. Ele passou uma procuração à sua secretária na Brasil- Set, Marta Vasconcellos Soares, que o vendeu para Collor. Os documentos desmentem o pronunciamento presidencial do dia 30, quando Collor negou ter mantido "relações empresariais de qualquer natureza" com PC há cerca de dois anos. Uma procuração de PC para Rosinete Silva de Carvalho Melanias, a secretária da Empresa de Participações e Construções Ltda (EPC) em São Paulo, permitia que ela movimentasse contas bancárias de PC em Brasília. Quem falou sobre "Rose" na CPI que investiga o caso PC foi Eriberto França, ex-motorista de Ana Acioli, secretária particular de Collor. Ele disse que era para "Rose" que Acioli ligava quando necessitava de dinheiro. Também Jorge Conceição, do Rio de Janeiro, abastecia a conta de Acioli. Num único dia, ele depositou dois cheques na conta de Acioli e um na conta da empresa Brasil-Set. Conceição tem como patrão e fiador de seu apartamento, o empresário Henrique José Chueke, envolvido em 1988 no escândalo BANESPA. A CPI suspeita que os serviços que a Brasils Gardem prestava à Casa da Dinda foram pagos por PC. Os donos da empresa, José Roberto Nehring Cesar e Regina Ribeiro Aguiar, desapareceram com as notas da jardinagem, desde que seus nomes foram associados ao Collorgate (FSP).