O Brasil praticamente nada vai pagar do principal da dívida de US$44 bilhões renegociada com os banqueiros privados estrangeiros. Durante 30 anos o país só vai pagar juros e o principal vencerá só no início do ano de 2023, quando o Brasil vai resgatar os títulos do governo norte- americano, que serão comprados para garantir aos banqueiros que não haverá nova moratória. O Brasil vai gastar entre US$4 bilhões e US$5 bilhões com os títulos, mas a capitalização ao final dos 30 anos elevará seu valor a um nível entre US$35 bilhões e US$43,7 bilhões, caso a taxa média de juros fique em 7,5% ao ano. Nesse dia, o governo brasileiro simplesmente pegará o dinheiro capitalizado dos títulos e pagará o principal da dívida. O principal dessa dívida não será pago por nós, mas pelos títulos
48463 capitalizados, atesta o ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira. Para ele, esse detalhe do título capitalizado é inovador e torna a renegociação interessante para o governo brasileiro e os banqueiros estrangeiros. A equipe econômica acredita que 80% da dívida com banqueiros privados serão trocados por dois bônus a serem emitidos pelo governo brasileiro-- o bônus de desconto e o bônus ao par. Os dois têm prazo de resgate de 30 anos e a amortização é feita de uma vez, no ano de 2023. Os dois são garantidos pelos títulos norte-americanos. Para ter essa garantia, no entanto, os banqueiros estrangeiros têm de dar um desconto de 35% sobre a dívida-- ou diretamente, abatendo o valor do título, ou através de juros abaixo do mercado. Se 80% da dívida de US$44 bilhões com bancos privados foem trocados por tais bônus, o Brasil terá um desconto de US$12,3 bilhões (JB).