A Autolatina, que reúne a Ford e a Volkswagen, teve prejuízo de US$170 milhões entre janeiro e maio deste ano. O prejuízo foi atribuído a duas causas: a defasagem de preços entre março e abril e a ausência de lucro nos carros básicos. Com esta má notícia, o novo presidente da montadora, o belga Pierre-Alain de Smedt, 48 anos, abriu ontem a sua primeira entrevista à imprensa. Smedt tomou posse no dia 1o. de julho. É o terceiro presidente da empresa, criada há três anos e que hoje tem 53% do mercado de veículos. Sua gestão aposenta o estilo "durão" do dirigente anterior, Noel Phillips, e retoma a afabilidade de Wolfgang Sauer. "A vontade da empresa é ser um bom cidadão no Brasil", disse Smedt. Para explicar sua nova gestão usou palavras como abertura, diálogo e transparência. Para o segundo semestre, a melhora da rentabilidade "depende do mercado", afirmou Smedt. O faturamento deve aumentar entre 10% e 15%-- foi de US$4,2 bilhões em 1991, que fechou com prejuízo de US$143,5 milhões. As exportações devem crescer 50% (foram de US$340 milhões em 1991), principalmente em função de 30 mil veículos que serão enviados para a Argentina. A Autolatina também vendeu o projeto do novo Santana para a China por US$10 milhões. A decisão do governo de não incluir limites para a importação de veículos no projeto de lei de incentivos à exportação do setor automobilístico foi criticada por Pierre-Alain de Smedt. "Sou a favor do mercado aberto, para maior concorrência, mas é impossível ter proteção apenas com os impostos de importação. Não temos problema para importar bons carros. Abrir brutalmente o mercado é um risco para o país e não para a Autolatina", disse. Ele prevê que em 1995 os veículos importados tenham uma participação de 15% do mercado, "o que vai reduzir nossa capacidade de investimento", em função de vendas menores. Por isso, Smedt disse que o plano de investimentos de US$2,4 bilhões corre riscos. O total deverá ser investido até 1996 na renovação de toda a linha de carros da Ford e Volkswagen (FSP).