SALÁRIOS NAS INDÚSTRIAS PAULISTAS TÊM GANHO REAL

Os salários pagos pela indústria de São Paulo tiveram, nos últimos meses, ganhos reais em relação à taxa de câmbio. Entre março e maio últimos, os salários médios da indústria paulista tiveram reajuste nominal acumulado de 105,95%, enquanto a taxa de câmbio, no período, registrou variação de 77,77%. Isto representou uma valorização real do salário de 15,56%. As informações constam de estudos feitos pelo economista Hugo Barros de Castro Faria, do Instituto de Ciências Econômicas e Gestão (Iceg), da Universidade Santa Úrsula, do Rio de Janeiro. Esses mesmos dados demonstram uma deterioração, ao longo do período, na relação câmbio/salário. A defasagem do câmbio (com base no dólar norte-americano) em relação ao salário da indústria paulista aumentou de 16,3%, em março, para 21,86%, em abril, e para 27,7% em maio. Com base na cesta de moedas, esta defasagem na relação câmbio/salário cresceu de 6,58%, em março para 23,46% em maio. "Apesar do arrocho salarial, provocado pela recessão da economia, o salário nominal da indústria de São Paulo vem sendo reajustado acima da taxa de câmbio", ressalta o economista. Ele explica que esta situação deve-se, justamente, à alta taxa de desemprego de mão-de-obra registrada atualmente pelo setor industrial paulista. Ou seja, a dispensa de mão-de-obra se concentra nas categorias profissionais menos qualificadas (que recebem salários menores), o que faz com que o salário médio pago pelas indústrias fique maior (GM).