A REPERCUSSÃO DO ACORDO DA DÍVIDA EXTERNA

Parlamentares, governdores de estado, líderes empresariais, entre outros, comentaram o acordo da dívida externa firmado pelo Brasil ontem. A seguir os principais comentários: Fernando Henrique Cardoso (senador do PSDB)-- "É preciso primeiro saber se o acordo respeitou as diretrizes determinadas antes pelo Senado. Vamos analisar com cuidado, sem partidarismo, pensando sempre no Brasil". Orestes Quércia (presidente do PMDB)-- "Foi um acordo sem privilégios, um acordo de país pobre e endividado. Mesmo assim, fiquei aliviado com o acordo". Aluízio Mercadante (deputado federal, PT-SP)-- "O acordo por si só não assegura a retomada do crescimento econômico. O crescimento só virá quando houver estabilidade, redução da inflação, confiança política e reversão das expectativas". Raimundo Lira (senador, PFL-BA, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado)-- "A aprovação do acordo da dívida pelos senadores será tranquila. O acordo recolocará o Brasil como prioridade dos investidores estrangeiros". Hélio Garcia (governador de MG, sem partido)-- "Estamos seguros de que este foi um passo definitivo para que a economia brasileira reencontre a estabilidade e o crescimento". Ciro Gomes (governador do CE, PSDB)-- "Só o acordo da dívida não resolverá os problemas econômicos do país. Ao restabelecer as relações financeiras internacionais, o Brasil dá o primeiro passo para a normalização, mas é preciso aprovar um programa de ajuste fiscal, que complemente as medidas necessárias à estabilização econômica". Luiz Antônio Flery (governador de SP, PMDB)-- "O acordo significa a retomada de investimentos para o Brasil. A redução da taxa de juros vai impulsionar o crescimento econômico". Joaquim Francisco (governador de Pernambuco, PFL)-- "O acordo é um dado positivo, no momento em que o país precisa retomar o seu desenvolvimento. Amplia as perspectivas de investimento estrangeiro e de o Brasil ingressar na comunidade financeira internacional". Antônio Carlos Magalhães (governador da Bahia, PFL)-- "Todos os brasileiros estão muito felizes. É uma solução, uma fase que vai permitir o ingresso de capitais no Brasil, gerar oportunidades, aumentar a oferta de empregos". Mário Amato (presidente da FIESP)-- "Agora é ir para a frente e trabalhar. Não quero discutir os termos do acordo. Ou nos enquadramos ou ficamos à margem". Albano Franco (senador e presidente da CNI)-- Isso dá um novo fôlego ao empresariado brasileiro. Acreditamos que, dentro de pouco tempo, começará a chegar dinheiro novo para investimentos no país". José Mindlin (dono da Metal Leve)-- "As condições do acordo permitem a volta de investimentos externos, o que contribui para reativar a economia". Luiz Péricles Michelin (presidente da ABIMAQ)-- "O acordo facilitará a volta de dinheiro novo para financiar investimentos". Horácio Cherkassky (presidente da ANFPC)-- "A normalização da situação do Brasil com os bancos credores privados ajudará os projetos que dependem de recursos externos para se viabilizarem". Luiz Carlos Bresser Pereira (ex-ministro da Fazenda)-- "A maior parte do ônus fica com o país". Zélia Cardoso de Mello (ex-ministra da Economia)-- "O acordo aumenta os gastos do país com a dívida. É uma incoerência fazer maiores pagamentos com a situação fiscal ruim que temos". Affonso Celso Pastore (ex-presidente do BC)-- "Não se deve esperar nenhum reflexo da notícia do acordo nos mercados financeiros. Os mercados já anteciparam há muito tempo a mudança de uma atitude hostil para a posição negociadora do Brasil com os credores. Esse acordo já foi descontado nos preços dos títulos da dívida externa e das ações". Luiz Antônio de Medeiros (presidente da Força Sindical)-- "Espero que tenhamos resolvido as questões externas do Brasil, os pagamentos externos, para que o país possa receber investimentos. O Brasil precisa crescer, o Brasil precisa de emprego". Sérgio Mendonça (diretor-técnico do DIEESE)-- "Com a economia estagnada, os recursos para o pagamento dos juros (que deverão passar de 30% para 50%) vão acabar saindo dos recursos destinados ao setor público". Antônio Neto (presidente da Central Geral dos Trabalhadores)-- "A credibilidade deverá ser o principal benefício que o acordo em princípio trará ao Brasil". Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo (secretário de Assuntos Internacionais do governo de SP)-- "As taxas de juros fixas incluídas nas condições para o pgamento da dívida são um avanço, mas o desconto de 35% foi irrisório". Paul Singer (secretário de Planejamento da prefeitura de SP)-- "O governo apressou o acordo devido aos problemas políticos. Ele poderia ter alcançado condições melhores. O fato não é importante, pois não resolve os problemas da economia do país, que é regida pela inflação". Luciano Coutinho (economista da UNICAMP)-- "O acordo não é espetacular. O problema da dívida ainda não foi equacionado e ela será um fardo que o país terá de carregar" (JB) (O Globo) (GM).