Mencionada na CPI como possível responsável por depósitos na conta de Ana Acioli (secretária particular do presidente Collor), Rosinete Silva de Carvalho Melanias, a Rose, é mais do que secretária do empresário Paulo César Farias. Documento obtido por este jornal mostra que ela é também representante de uma empresa de PC-- a EPC (Empresa de Participações e Construção Ltda.)-- perante todos os bancos e estabelecimentos de crédito em Brasília (DF). Procuração datada de 23 de maio de 1990 autoriza Rose a abrir e movimentar contas, descontar e assinar cheques, receber extratos e talões e fazer depósitos e saques bancários. Rose está de férias em Miami (EUA), onde PC também mantém negócios. Com o dinheiro depositado em conta, Ana Acioli pagava as despesas da Casa da Dinda e de parentes do presidente Collor. O empresário Paulo César Farias conseguiu multiplicar por 70 seu patrimônio em apenas um ano. No fim de 1991 PC tinha patrimônio de 9.175.288,33 Ufir, ou Cr$5,3 bilhões (US$5 milhões), conforme sua declaração apresentada à Receita Federal neste ano. Um ano antes ele tinha apresentado uma declaração de Imposto de Renda registrando para todos os seus bens um valor de Cr$12,1 milhões (US$71,5 mil). Auditores fiscais consideram a variação patrimonial da EPC como um dos maiores escândalos fiscais de que a Receita Federal tem registro. A EPC tinha um patrimônio de Cr$1.470,00 no final de 1990. Um ano depois, o patrimônio da empresa na declaração de renda pulou para Cr$2,2 bilhões. Os fiscais da Receita Federal estão investigando todas as notas de serviços prestados pela EPC (FSP).