A CEF não vai conceder ainda este ano qualquer financiamento novo com dinheiro do FGTS. A revisão do orçamento, aprovada ontem pelo Conselho Curador do Fundo, prevê que não haverá em 1992 novas contratações. Na tentativa de contornar a crise financeira do Fundo, o conselho autorizou o cancelamento parcial de obras habitacionais já contratadas: "sempre que possível" haverá redução do valor do financiamento e do número de unidades a serem construídas, determina uma das resoluções. Terão prioridade no recebimento do dinheiro as obras com até três parcelas a desembolsar, as conduzidas por mutirão e as de urbanização de favelas. Os compromissos assumidos até o final de 91 exigiram do FGTS, este ano, um desembolso de 491 milhões de UFPs (Unidades Padrão de Financiamento)-- cerca de Cr$12,26 trilhões, pela UPF de julho. Conforme o novo orçamento, a disponibilidade será de 277 milhões de UPFs (Cr$6,91 trilhões), ou 56% do necessário. Isso significa um déficit de Cr$5,3 trilhões-- maior do que o previsto no início da revisão orçamentária (Cr$3,44 trilhões, em valores de julho). Em relação ao orçamento original, do final de 91, o corte foi em torno de 50%. Os cortes foram necessários porque a arrecadação líquida vem caindo muito em função do aumento nos saques. Em maio passado, por exemplo, de uma arrecadação bruta de Cr$950,11 bilhões, sobraram apenas Cr$98,37 bilhões. Os saques consumiram quase 90% do que se arrecadou (FSP) (JB).