O ex-vice-presidente da área internacional do Comind, Peter de Svastich, denunciou que o banco comprou para o ex-presidente João Figueiredo três cachorros de caça, "dog boxes", no sul da França e hospedou-os no Hotel Ritz, em Paris, até que fossem transportados para Brasília pelo coronel Luis Prado. Segundo ele, o Comind também participou da compra de armas de caça, munição e apetrechos de equitação para autoridades do governo brasileiro através de suas agências em Nova Iorque e Paris, sob a orientação do então diretor do banco, Paulo Gavião Gonzaga. Peter de Svastich pediu demissão do Comind depois de ter recusada a aprovação de seu "plano de salvamento" para o banco, nove meses antes da liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. Ele disse que o processo de endividamento do banco se deu a partir da decisão do Comind de comprar o Grupo Veplan/Residência, a pedido do então presidente do BC, Carlos Geraldo Langoni, e do diretor da área bancária, Antônio Chagas Meireles, ao presidente do banco, Carlos Eduardo Quartim Barbosa, e ao diretor Paulo Gavião Gonzaga. Os entendimentos para a realização do negócio previa o desembolso de US$75 milhões do Comind, que receberia como garantias os "Shoppings" Ibirapuera, além de outros imóveis, e também notas promissórias da CBPI-- uma "holding" do Grupo Veplan-Residência. A promessa do BC, de acordo com o depoimento do ex-vice-presidente, era a de que o Comind deveria separar numa conta as despesas espúrias e os créditos de difícil cobrança que fossem encontrados no Grupo Veplan-Residência, para posterior liquidação com os recursos governamentais. O presidente do BC que sucedeu Langoni, Affonso Celso Pastore, recusou-se a tomar qualquer iniciativa para ajudar o Comind, já que não havia qualquer documento compromissando o BC (JB).