ANISTIA CRITICA AÇÃO DE ESQUADRÕES NO BRASIL

O relatório anual da Anistia Internacional, divulgado ontem em Londres (Inglaterra), informa que o Brasil integra uma lista de 11 países latino- americanos onde os esquadrões da morte atuam com a cumplicidade das forças de segurança do governo. No ano passado, segundo a organização, mais de 900 adultos e meninos de rua foram assassinados nas cidades brasileiras e também nas do Peru, Guatemala, Colômbia e Haiti, entre outras. O relatório, que cobre 142 países, condena igualmente Cuba e EUA por manterem em seus cárceres prisioneiros de consciência. Os EUA são criticados pelo grande aumento do número de sentenciados com a pena de morte: 14 em todo o ano passado, contra 19 de janeiro a junho deste ano. No capítulo sobre as Américas, o Brasil e o Peru são os países onde se registraram mais violações dos direitos humanos. No mundo inteiro, diz a Anistia, aumentou o número de países que defendem os direitos humanos, mas grande parte deles ignora as violações cometidas no passado e, com isso, muitos crimes ficam sem solução. "Enquanto torturadores, assassinos de Estado e mandantes agirem livremente e sem mede de serem punidos, o ciclo da violência nunca será rompido", adverte o relatório relativo a 1991. O Brasil aparece entre os 14 países onde existem desaparecidos (pessoas sequestradas que nunca voltaram). Há mais de 300 casos deste tipo só no Peru e outros "milhares ainda incontados" na Argentina, Chile, México, além do Brasil. A Anistia Internacional afirma que revoluções democráticas na Europa do Leste, antiga URSS e África reduziram alguns focos de violação de direitos humanos no mundo, especialmente na Albânia, Lituânia, Etiópia e Zâmbia. No Leste europeu, no entanto, surgiu outro fenômeno preocupante: os conflitos étnicos. A organização cita ainda Iraque, Birmânia e China como exemplos de países onde a violação aos direitos humanos atinge níveis mais graves (JB).