A CPI instalada pelo Senado para investigar irregularidades nos fundos de pensão e na PETROBRÁS vai apurar possíveis ligações entre o esquema PP- - de Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-secretário de Assuntos Estratégicos-- e os negócios do empresário Paulo César Farias, o PC. O relator da CPI, senador Cid Sabóia (PMDB-CE), disse ontem, depois de ouvir os primeiros depoimentos, que acredita na possibilidade de uma conexão entre os dois esquemas. A convicção do senador foi reforçada pelo depoimento da deputada federal Sandra Starling (PT-MG), que levou uma informação do jornalista Jânio de Freitas, da "Folha de S.Paulo". Ele disse à deputada que PC tentou influir para que a construtora OAS ganhasse a concorrência para a construção de uma plataforma de petróleo da PETROBRÁS, no Rio de Janeiro. A intermediação teria sido acertada durante reunião no Hotel Meridien, no Rio, mas a OAS não ficou com a obra. A CPI ouviu ontem, além de Starling, os depoimentos da jornalista Suely Caldas, da "Agência Estado", e do presidente da Associação de Engenheiros da PETROBRÁS, Diomedes Cesário. A avaliação dos depoimentos foi divergente. Para os senadores Gérson Camata (PDC-ES) e Enéas Faria (PST- PR) os depoentes nada acrescentaram ao que tinha sido publicado pela imprensa. Porém, Cid Sabóia considerou que os depoimentos foram básicos para dar início a processo penal. Suely entregou à CPI a coleção das reportagens publicadas pelo jornal "O Estado de S.Paulo" e se disse convencida da existência do esquema PP. "A prova irrefutável é que foram demitidos funcionários da PETROBRÁS depois das denúncias", disse. A jornalista transmitiu à CPI uma informação que, segundo ela, ainda não foi totalmente apurada: a de que os fundos de pensão concentraram aplicações em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) nos três bancos com os quais PC Farias teria negócios-- o BMC, o Bancesa e o Banco Rural (O Globo).