O presidente da Alemanha, Richard von Weizsacker, defendeu ontem, durante almoço de encerramento do encontro de cúpula do G-7 (os sete países mais ricos do mundo), em Munique, o perdão da dívida do Terceiro Mundo e uma conclusão rápida das negociações do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) para a liberalização do comércio internacional. Ele lembrou que os problemas do Terceiro Mundo foram formulados na Rio-92, e disse que não adianta acusar esses povos que vivem em pobreza de esbanjar os recursos da natureza, porque "quem tem fome não pode poupar o meio ambiente". A conferência de cúpula foi, no entanto, a que menos se ocupou com o tema Terceiro Mundo e endividamento. O assunto entrou no comentário final, mas sem novas promessas de ajuda. Enquanto os EUA não demonstraram nenhum interesse em novos compromissos financeiros, a Alemanha continua favorável a remissão da dívida, mas apenas para aqueles países africanos que fazem parte do "cinturão da fome". Já países como o Brasil podem contar no máximo com alguns milhões de ajuda ao saneamento do meio ambiente e preservação da selva amazônica. Quanto à dívida externa, a posição do G-7 continua sendo a mesma: "nós incentivamos o Clube de Paris a levar em consideração a situação de alguns países altamente endividados e damos grande significado a utilização do instrumento de transformação da dívida para projetos do meio ambiente", diz o documento divulgado ao final do encontro. Em declaração conjunta, o G-7 se compromete a fortalecer a economia e criar mais empregos por meio do crescimento não inflacionário e da redução dos déficits e juros; concluir até o fim do ano a Rodada Uruguai do GATT, liberalizando o comércio mundial; estimular a competição na economia, abrindo mercados e eliminando o excesso de regulamentação; e corroborar com as decisões da Rio-92 (O Globo) (JB).