O diretor-presidente da construtora Norberto Odebrecht, Emílio Odebrecht, admitiu ontem que suas empresas contribuíram "com a campanha de Fernando Collor de Mello e de todos os outros candidatos". A declaração foi feita na sede da Polícia Federal, em São Paulo, depois de Odebrecht prestar depoimento ao delegado Paulo Lacerda, que investiga o caso PC Farias. Minutos depois, Odebrecht foi lembrado por um repórter que essa contribuição poderia ser interpretada como crime eleitoral. "A contribuição foi em planejamento e não em dinheiro", disse, sem explicar mais detalhes. O empresário foi chamado pelo delegado para explicar notas fiscais emitidas por empresa de PC à construtora, encontradas pela Receita Federal na EPC (Empresa de Participações e Construção). Odebrecht confirmou a existência das notas, disse que elas "foram emitidas após a campanha eleitoral, no início de 1990", mas negou que sejam notas frias (FSP).