EMPRESÁRIOS HOMENAGEIAM MARCÍLIO EM SÃO PAULO

Cerca de 1.200 empresários reuniram-se, ontem, para manifestar o interesse no prosseguimento das reformas estruturais da economia, independentemente dos desdobramentos da crise política, em um jantar realizado em São Paulo e organizado pelo Movimento Brasil S/A, formado por 53 entidades de classe empresariais, entre elas a FIESP, ABRASCA, ABIQUIM, ANFAVEA, AEB, FEBRABAN, FENABRAVE, SECOVI, FIERGS, ADEVAL e ANDIMA. O convidado especial foi o ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, escolhido pelos empresários como o interlocutor do lado do governo. Outros ministros compareceram, além de governadores de estado e do secretário-geral da Força Sindical, Enilson Simões de Moura. Os organizadores do evento fizeram questão de ressaltar que não se tratava de um apoio ao governo Collor ou ao ministro Marcílio. "O ministro é apenas o interlocutor", disse Luiz Fernando Furlan, presidente da ABRASCA e um dos organizadores do encontro. Durante o jantar, o presidente da BM&F, Manoel Pires da Costa, em nome do Movimento Brasil S/A, apresentou ao ministro um manifesto contendo "as posições do empresariado de apoio à modernização do país e resumindo as principais reformas demandadas". Os empresários defenderam a necessidade de se acelerar a privatização para reduzir o tamanho do Estado na economia, a reforma fiscal para aliviar o peso dos impostos sobre as empresas e cidadãos, o saneamento do Estado, a moralização administrativa, o fim do monopólio da poupança pelo Estado, a desregulamentação e internacionalização da economia e a manutenção de regras estáveis. O ministro Marcílio, confessando-se um liberal, falou contra o desenvolvimento pensionista do Estado, e concordou com as reformas demandadas, embora algumas delas não venham imediatamente. A redução dos juros, por exemplo, será "consequência do equilíbrio das contas governamentais". Em uma resposta às expectativas de pacotes ou dolarização defendeu um "cruzeiro estável, respeitado e sólido", rejeitando "qualquer outra moeda importada de fora ou gestada nos laboratórios de mais uma experimentação artificial", e também "outras soluções da mesma natureza, na linha do congelamento ou da prefixação, ou sob quaisquer outros nomes ou disfarces que se escondam". O ministro endossou ainda a defesa da reforma e da justiça fiscal e criticou a sonegação de impostos. Para amenizar os efeitos sociais da recessão, Marcílio anunciou a adoção de novas medidas, inclusive na área da construção civil. Segurar a inflação, expandir empregos e incentivar novos investimentos são os seus objetivos. O ministro, porém, não entrou em detalhes sobre as medidas (GM) (FSP).