BRASIL FECHA ACORDO COM OS CREDORES

Segundo as informações, o Brasil conseguiu fechar um acordo da dívida externa de cerca de US$50 bilhões com os bancos credores privados. Pelo acordo, o Brasil assume o compromisso de efetuar um desembolso de cerca de US$1,6 bilhão a título de garantia de recebimento aos credores dos novos títulos da dívida, que serão oferecidos em seis tipos, à escolha dos bancos, com prazos que variarão entre 30, 25, 18, 17, 15 e 10 anos e opções que oferecem desde um desconto de 35% para cada dólar devido e o desembolso de dinheiro novo pelas instituições estrangeiras. As taxas de juros previstas também variam bastante, mas correrão à base da Libor (taxa do mercado interbancário de Londres), acrescida de 0,825% de spread ao ano. Os desembolsos do pagamento dos juros deverão ser semestrais. Os termos do acordo, cuja assinatura o ministro Marcílio Marques Moreira (Economia) prevê para até o próximo dia 10, são semelhantes ao negociado entre o México, Venezuela e Argentina com os bancos credores e têm como linha-mestra as propostas do Plano Brady norte- americano. O acordo prevê, basicamente, a troca da dívida velha de US$50 bilhões por outros títulos. Ou seja, uma rolagem em outros termos da dívida externa contratada no passado. A dívida brasileira com os credores privados é constituída, hoje, por cerca de US$35 bilhões em créditos já vencidos e depositados no Banco Central (os MYDFA, que são negociados no mercado secundário), US$10 bilhões em empréstimos feitos a empresas estatais e outros US$3,5 bilhões referentes ao refinanciamento realizado pelo acordo de 1988. Os papéis oferecidos para a rolagem desse passivo são principalmente três, o "discount bond", o "par bond" e o "new money bond". Cada banco vai escolher a alternativa que melhor lhe convier (JB).