METALÚRGICOS TEMEM EFEITOS DO MERCOSUL

Representantes de metalúrgicos da América Latina, especialmente da Argentina, Uruguai e Brasil, querem uma estratégia unificada para enfrentar os efeitos do MERCOSUL no nível de emprego da indústria automobilística, na forma de contratação de mão-de-obra e nas legislações trabalhistas. Cerca de 80 delegados, representando confederações, federações e centrais sindicais desses países estiveram reunidos ontem em São Bernardo do Campo (SP), onde há debates preparatórios à Conferência Latino-americana sobre Indústria Automobilística, que começa amanhã. Os dirigentes sindicais identificam a necessidade de intervenção dos trabalhadores nas discussões do MERCOSUL. No Brasil, por exemplo, eles foram incluídos apenas no grupo 11-- de um total de 21-- que estuda o assunto do ponto de vista da legislação trabalhista. "Haverá reestruturação das indústrias e queremos participar deste debate também", disse o presidente da Confederação dos Metalúrgicos da CUT, Heiguiberto Navarro. A participação dos metalúrgicos é colocada até mesmo como garantia de continuidade da política de unificação dos mercados. Andres Mercau, da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos da Venezuela, vai levar à conferência a experiência do Pacto Andino, que, segundo ele, falha em razão da falta de continuidade do projeto, provocado pelas mudanças de governo. "O absolutismo dos nossos governos impede que o pacto prospere", ressaltou. A primeira constatação de intercâmbio entre dirigentes sindicais dos países integrantes do MERCOSUL é a de que o Brasil responde pelos piores salários e garantias sociais na indústria automobilística. Mas isso não preocupa apenas os trabalhadores brasileiros. Roberto Pereira, um dos delegados da Federação Internacional de Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas (Fitim) disse que a reestruturação do setor, do ponto de vista das empresas, passa por uma racionalização da produção e portanto pela diminuição dos postos de trabalho. "Os empresários usam desde já a possibilidade de desemprego para pressionar os trabalhadores". De acordo com ele, a situação brasileira, "puxa para baixo" os patamares de negociação numa economia sem fronteiras. Os funcionários do Uruguai estão também preocupados com o MERCOSUL. Com uma tímida indústria automobilística que produz apenas 12 mil veículos por ano e o fim gradual das barreiras alfandegárias para produtores mais fortes como o Brasil e a Argentina, eles temem que haja o fim das montadoras locais, que empregam três mil funcionários. Por isso, devem propor na Conferência o aumento de impostos para entrada de modelos importados da Europa e Ásia dos atuais 24% para 35%, como forma de compensação (JC).