O empresário Antônio Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, e o grupo Odebrecht admitiram ontem que contribuíram com recursos para a campanha presidencial de Fernando Collor de Mello. "Me digam o nome de um empresário que não tenha colaborado com algum partido nas eleições?", indagou Ermírio, ontem, na porta da delegacia da Polícia Federal em São Paulo, após ter prestado depoimento ao delegado Paulo Lacerda, que investiga as atividades do empresário Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha de Collor. Antônio Ermírio é o primeiro a ser ouvido nula lista de empresários que teriam contribuído para a campanha de Collor recebendo em troca notas frias da EPC, empresa de PC. O diretor de comunicação do grupo Odebrecht, João Baptista de Paiva Chaves, também admitiu a colaboração do conglomerado com o caixa do então candidato do PRN. "Não negamos que foi feita contribuição para a campanha do presidente", disse. A legislação brasileira proíbe que empresas doem dinheiro para campanhas de candidatos a cargos no Legislativo e Executivo. A Polícia Federal apura se as notas emitidas pelas empresas de PC não teriam sido utilizadas, na verdade, para disfarçar doações ilegais à campanha de Collor (FSP) (JB).