Anotando as enormes dificuldades técnicas e econômicas para a mudança da ainda incipiente infra-estrutura de conteineirização de cargas e multimodalismo para um novo padrão de conteineres, em contrapartida a benefícios ainda não quantificados que tal mudança possa trazer, os países do MERCOSUL estão chegando à mesma conclusão, mesmo sem uma efetiva troca de idéias entre si: o uso de conteineres mais altos, largos e compridos que os atuais não se justifica na região. Como a Argentina, o Brasil também está firmando posição contrária em documento a ser enviado nos próximos dias à International Standardization Organization (ISO), que de 1o. a 4 de setembro, em Genebra, deverá deliberar sobre o aceite ou não do padrão Série 2 para os conteineres, introduzindo oficialmente no mercado as unidades de 24 a 49 pés. O grupo de estudos coordenado pelo engenheiro Walter Valenzuela, do Sindicato das Indústrias de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), participou de reunião de esclarecimento da comunidade do setor na Baixada Santista, promovida dia 3 pelo Instituto Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento (IBTD), no auditório do Sindicato do Comércio Varejista de Santos (SP). Na oportunidade ficaram evidenciadas as enormes dificuldades para adequação do país a uma eventual mudança no padrão dos conteineres. Ficou claro, também, que o Brasil, como outros países, terá duas posições distintas, a técnica e a político-econômica. No lado técnico, apresentará recomendações quanto às normas para modernização da Série 2. Isso não significa aceitar a nova série em termos de viabilidade econômica, o que será expresso na posição política. Coordenada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a posição técnica brasileira coincide com a de vários outros países, especialmente quanto à necessária compatibilidade entre as duas séries na localização dos "corner-fittings" (pontos de engate para içamento). No tráfego internacional, onde já aparecem conteineres de até 56 pés de comprimento, começa a surgir a preocupação quanto à resistência da estrutura das unidades contra deformações, já registradas em alguns casos. Outra dificuldade detectada é que conteineres de 24 pés, embora tenham encaixes semelhantes aos de 20 pés, ficam descentralizados e forçam lateralmente a empilhadeira (O ESP).