A classe média é quem vai arcar com o custo da Reforma Fiscal, cujo projeto com as alterações constitucionais foi apresentado ao presidente Fernando Collor na semana passada. Pagará mais Imposto de Renda por causa da redução do limite de isenção do IR, contribuirá mais para a Previdência Social e ficará sujeita ao novo tributo, o de transações financeiras (ITF). Além disso, recairão sobre a classe média as novas regras mais rígidas para os benefícios da Previdência, como o fim da aposentadoria por tempo de serviço, a fixação de uma idade mínima de 65 anos e a eliminação das distinções de sexo que beneficiava as mulheres. Segundo a avaliação de tributaristas com trânsito no Congresso Nacional, as empresas, em contrapartida, serão beneficiadas com a eliminação do Finsocial, do PIS/Pasep e dos adicionais de tributos que incidem sobre o seu lucro e faturamento. As pessoas jurídicas serão beneficiadas ainda com a redução em 50% da contribuição para a Previdência Social (reduz de 20% para 10%) e ficarão desobrigadas de pagar o FGTS, correspondente a 8% da folha de pessoal. Os próprios técnicos da Receita Federal consideram alto o limite de isenção do IR para a pessoa física-- de mil Ufir para 750 ou 500 Ufir. Os técnicos tamém não acreditam na aprovação pelo Congresso da eliminação dos abatimentos (JB).