Os gastos com atendimento psiquiátrico no Brasil só são superados pelos dedicados aos partos normais. Nos últimos dois anos, esse serviço consumiu 7,5% do total de investimento do governo federal em toda a área de saúde, numa evidente distorção que só agora começa a ser corrigida, segundo o coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Domingos Sávio. Ele explicou que o redirecionamento dos gastos começa a ser possível graças a uma portaria do Ministério assinada ano passado, que cria códigos de remuneração para terapias ocupacionais, terapias de grupo e o sistema de hospital-dia, através do qual o paciente passa o dia no hospital e volta para casa à noite. Até a assinatura da portaria, os únicos procedimentos psiquiátricos remunerados pelo governo federal eram a internação-- que na maioria dos casos se prolonga muito além do tempo recomendado-- e as consultas ambulatoriais, que quase sempre se resumem à prescrição de remédios. Segundo Domingos Sávio, apesar de consumirem anualmente quantias na ordem de Cr$111 bilhões, esses dois procedimentos não apresentam resultados satisfatórios. Em psiquiatria, bom resultado significa a readaptação do paciente ao convívio social. Dos 90 mil leitos para doentes mentais (dos 500 mil leitos hospitalares existentes no país), no entanto, 30 mil estão ocupados por pacientes incapacitados socialmente. Além disso, o tempo médio de permanência nos hospitais-- que é um dos indicadores da pouca eficácia da internação-- é de 124 dias. O Ministério da Saúde tem como ideal o máximo de 30 dias de internação (JB).